A Fórmula 1 pode estar prestes a reviver uma prática que sumiu das pistas há mais de 15 anos: o reabastecimento na Fórmula 1 durante as corridas. O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, confirmou que a entidade está estudando o retorno da prática como parte do pacote de mudanças que prevê a chegada dos motores V8 na F1 a partir de 2031.
FIA e reabastecimento na Fórmula 1: o que disse Ben Sulayem
Durante o fim de semana do GP da Grã-Bretanha, Ben Sulayem revelou que a federação está avaliando o assunto com cautela, mas sem descartar a ideia. Segundo ele, o reabastecimento “não é um problema, se for feito da maneira certa” e a análise dos impactos técnicos, esportivos e de segurança já está em andamento como parte do novo regulamento F1 2031.
A discussão surge junto com outro grande tema: o possível fim das equipes clientes de motores, modelo que hoje deixa equipes menores dependentes das grandes fabricantes (Mercedes, Ferrari, Red Bull-Ford, Audi e Honda).

Por que o reabastecimento voltou ao radar da Fórmula 1
O motivo é simples: peso. A FIA quer que os carros da próxima geração cheguem a cerca de 700 kg, bem abaixo dos mais de 100 kg de combustível que os carros atuais carregam sozinhos, sem paradas para reabastecer.
O problema é que os futuros motores V8 F1 2031 aspirados, com uma parte elétrica bem menor que a atual, consomem mais combustível que os V6 híbridos de hoje. Sem o reabastecimento, os carros precisariam de tanques maiores o que anularia boa parte do ganho de peso que a FIA está buscando.
O que o reabastecimento pode mudar nas corridas de F1
Quem acompanha F1 há mais tempo lembra bem da era do reabastecimento, extinta em 2010: paradas mais estratégicas, corridas mais imprevisíveis e também mais risco — como o incêndio no carro de Jos Verstappen em 1994, um dos episódios mais lembrados da época.
Se a prática voltar, é provável que tenhamos:
- Estratégias de corrida mais variadas e imprevisíveis
- Carros mais leves e ágeis na largada
- Boxes com estrutura extra de segurança e logística
- Um tempero a mais nas disputas entre pilotos e equipes
Reabastecimento na F1: nem tudo é consenso
Apesar do discurso otimista de Ben Sulayem, equipes como a Audi já demonstraram preocupação com a proposta de reabastecimento na Fórmula 1. E há um contraponto ambiental: a volta da prática significa trazer de volta equipamentos e logística extra, algo que vai na direção contrária das metas de sustentabilidade que a própria F1 vem defendendo.
Por enquanto, nada está decidido sobre o regulamento F1 2031. A ideia do reabastecimento segue em estudo junto com o restante do pacote de mudanças, que também inclui os motores V8 e o fim das equipes clientes.