A Noruega na Copa do Mundo 2026 não é surpresa de uma temporada só é o resultado de mais de duas décadas de reformulação estrutural no futebol norueguês. Depois de 28 anos fora do Mundial, a seleção nórdica não só voltou como já eliminou o Brasil nas oitavas de final e enfrenta a Inglaterra neste sábado (11), em Miami, na briga por uma vaga na semifinal.
O jejum de 28 anos da Noruega em Copas do Mundo
Antes de 2026, a Noruega havia disputado o Mundial apenas três vezes: 1938, 1994 e 1998. A melhor campanha aconteceu justamente na França, em 1998, quando a equipe avançou às oitavas de final após superar um grupo com Brasil, Marrocos e Escócia sendo eliminada pela Itália por 1 a 0. De lá pra cá, o país ficou de fora de nove edições seguidas do torneio, um hiato que só terminou com a classificação direta nas Eliminatórias europeias, com campanha perfeita: oito vitórias em oito jogos, incluindo um histórico 11 a 1 sobre a Moldávia.
A reformulação por trás da geração de ouro da Noruega
O retorno ao Mundial não aconteceu por acaso. A Federação Norueguesa investiu havia anos na chamada Escola da Seleção, um projeto de formação que hoje conta com cerca de 700 profissionais espalhados pelo país, com cada distrito mantendo estrutura própria de acompanhamento e treinadores das categorias de base integrados aos principais clubes locais.
Some-se a isso o investimento pesado em infraestrutura esportiva: centenas de campos de gramado sintético e pequenas arenas cobertas foram construídas para que crianças e adolescentes pudessem seguir jogando futebol mesmo durante os rigorosos invernos noruegueses. O resultado prático: hoje a Noruega tem jogadores atuando nas principais ligas e nos maiores clubes do mundo, formando o que a imprensa esportiva já chama de “geração de ouro” do futebol norueguês.

Os nomes por trás da nova Noruega
Capitaneada por Martin Odegaard, a seleção reúne nomes como Kristoffer Ajer, Oscar Bobb, Antonio Nusa, Alexander Sørloth e Jørgen Strand um time equilibrado em todas as posições. Mas o grande símbolo dessa geração é Erling Haaland, artilheiro das Eliminatórias com 16 gols em 8 jogos e principal responsável pela classificação da Noruega ao mata-mata da Copa.
Curiosamente, Haaland nunca viu a seleção norueguesa disputar um Mundial em vida — precisou ouvir histórias do pai, Alf-Inge Haaland, que jogou a Copa de 1994 pela Noruega. A mesma situação se repete com outros dois companheiros de elenco, Kristian Thorstvedt e Alexander Sørloth, também filhos de jogadores da geração de 1994 e 1998. Outro elo com o passado: o técnico atual, Ståle Solbakken, já integrava o elenco norueguês naquela campanha histórica de 1998.
Como a Noruega eliminou o Brasil nas oitavas de final
O momento mais marcante da campanha até aqui veio nas oitavas de final, com a vitória por 2 a 1 sobre o Brasil, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Haaland marcou os dois gols da virada, aos 34 e 44 minutos do segundo tempo, um de cabeça e outro de fora da área. Neymar descontou nos acréscimos, mas não foi suficiente. Bruno Guimarães ainda desperdiçou um pênalti na primeira etapa, defendido pelo goleiro Ørjan Nyland, que teve atuação decisiva no jogo.
Com o resultado, o Brasil se despediu do torneio na fase das oitavas a eliminação mais precoce da Seleção Brasileira desde 1990 enquanto a Noruega seguiu viva rumo às quartas de final.
O próximo desafio: Noruega x Inglaterra
Classificada, a Noruega agora enfrenta a Inglaterra, que eliminou o México por 3 a 2 no Estádio Azteca, jogando com um homem a menos em boa parte da partida. O confronto das quartas de final está marcado para sábado, 11 de julho, às 18h (horário de Brasília), em Miami um duelo que promete colocar frente a frente dois dos principais centroavantes do torneio.
Se avançar, a Noruega vai em busca de superar sua melhor campanha histórica, as oitavas de final de 1938 e 1998, e sonhar com uma inédita semifinal de Copa do Mundo.